Transferência de tecnologia melhora a vida das comunidades

Data: 16/04/2019
 
August 16, 2020 (2)

Um total de 62.000 habitantes de 20 povoações do distrito de Molumbo, na província da Zambézia, beneficiaram de intervenções de transferência de tecnologia com vista a fomentar a produção agrícola e melhorar a condição de vida das comunidades. A iniciativa foi realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP), através do Centro de Investigação e Transferência de Tecnologia para o Desenvolvimento Comunitário (CITT).

No âmbito da implementação do Programa das Vilas Sustentáveis, habitantes do distrito de Mulumbo, beneficiaram de conhecimento para a melhoria da produção e a condição de vida das comunidades.

Das intervenções em referência, destaca-se o uso de técnicas melhoradas de produção aplicando a agricultura de conservação em hortícolas, milho, raízes e tubérculos; a montagem de campos de demostração de resultados para permitir adopção de técnicas agrárias de produção pelos camponeses; a formação de agricultores em agró-negócio; a abertura de tanques piscícolas e formação na produção de alvinos e; o estabelecimento de oficinas culinárias e capacitação na preparação de alimentos com elevado valor nutritivo para crianças baseado em produtos localmente disponíveis.

Para Jacinto Mandavela, residente em Chinangua, com o conhecimento adquirido nas áreas de piscicultura, horticultura, agro-negócio e reflorestamento conseguiu abrir um tanque piscícola com aproximadamente 1500 alvinos, e espera uma receita de 95 mil meticais.

Mandavela acrescentou que o projecto não está li para dar dinheiro as pessoas, mas para sim para dar ferramentas e conhecimento para que as comunidades possam impulsionar os seus negócios e serem autossustentáveis.

Já Pedro Rimissone, agricultor de Namanja, disse que antes da implementação do projecto dedicava-se a cultura do tabaco. Com a aprendizagem de novas técnicas de produção agrícola transferidas pelo Programa Vila Sustentável de Molumbo (PVSM) começou a produzir tomate, alface, cebola e milho. O entrevistado, acrescentou que o projecto ofereceu-lhe uma bicicleta com a finalidade de difundir as tecnologias a outros produtores da comunidade e apoiou-o na participação de feiras agrícolas em Quelimane, Alto Molocué, Ile e Malema, onde conseguiu expor e vender seus produtos.

 

Paulo Luís Pedro, líder religioso e agricultor em Malico desenvolve as culturas de milho, feijão manteiga e soja há mais de 10 anos. Com o projecto aprendeu a plantar a soja em linha e o rendimento também melhorou, uma vez que antes conseguia tirar 200 kg de soja e agora consegue aproximadamente 1 tonelada de soja por colheita na área por si explorada. Na entrevista recordou que em 2016, ele iniciou a cultura de tomate e na altura usava a técnica de viveiros e tinha muita quebra e hoje com as técnicas transferidas pelo projecto, aprendeu uma nova técnica que é o plantio directo no solo que permitiu eliminar as perdas e aumentar o rendimento de cerca de 2 ton/hec para uma media de 20 ton/hec.

 

Igualmente, Martinho Asacoia, Presidente da Associação de Poupança e Crédito Rotativo de Nengreia referiu que graças a formação, os membros da associação têm conseguido investir na educação de seus filhos, adquirir equipamento para melhorar produção agrícola, melhorar as condições de habitação, investir em pequenos negócios, entre outras melhorias. Martinho Asacoia disse que, com o apoio do projecto a comunidade estabeleceu uma Oficina Culinária que consiste na preparação de alimentos nutritivos com base em produtos locais e as crianças agora estão mais bem nutridas e saudáveis que antes. Informou que em 2016 a sua associação beneficiou de uma formação em agro-negócio e técnicas de gestão de microcréditos que permitiu melhorar a gestão de poupanças daquela agremiação.

Assim, com as intervenções realizadas ao nível do distrito, na região central de Moçambique, as comunidades sentem os benefícios e mostraram-se confiantes com o projecto. Este projecto, foi lançado oficialmente em 2014 e até 2020 prevê apoiar o sector de educação, saúde e construir infraestruturas como: uma escola secundária geral; um centro de saúde; um armazém comunitário para o armazenamento de insumos agrícolas; sistemas de abastecimentos de água; reabilitação e manutenção de estradas terciarias e pontes.

Importa referir que o PVSM é um projecto de desenvolvimento comunitário integrado baseado na disseminação de conhecimento científico e transferência de tecnologias e é implementado pelo MCTESTP, através do CITT, com o apoio do Banco Islâmico de Desenvolvimento e do Fundo de Solidariedade Islâmica para o Desenvolvimento.