Alsácia Atanásio distinguida como cientista do ano 2020

Data: 13/03/2020
Alsácia Atanásio distinguida como cientista do ano 2020

A Directora e Investigadora do Centro Nacional de Biotecnologia e Biociências (CNBB), Alsácia Atanásio foi recentemente distinguida como Cientista do Ano 2020, na categoria de Ciências Veterinárias pelo International Achievements Research Center (IARC), uma instituição sediada nos Estados Unidos da América.

Segundo o Jornal Notícias, a publicação de cinco artigos científicos e um livro nos últimos três anos, valeu à investigadora moçambicana Alsácia Atanásio o prémio de “Cientista do Ano 2020” na categoria de Ciências Veterinárias, numa competição promovida pelo IARC, uma instituição de pesquisa sediada nos Estados Unidos da América.   

Com esta distinção, Alsácia Atanásio terá direito de publicar os seus artigos na secção “International Tribune”, no site oficial da IARC, afirmando que vai “usar a plataforma para mobilizar recursos que vão custear despesas de pesquisa inerentes à sua área de investigação”.

Segundo a Directora do CNBB e especialista em parasitologia, o prémio não só constitui um incentivo para si, como também, servirá para estimular investigadores mais jovens a aplicar-se na pesquisa cientifica, dando força e motivação para continuar a trabalhar.

Recordar que a especialista realizou uma pesquisa nas províncias de Maputo e Gaza sobre a eficácia de Albendazole, uma droga do grupo dos Benzimidazóis, sobre os parasitas gastro-intestinais de caprinos, tendo demonstrado que o gado caprino desenvolveu resistência a esta droga que geralmente tem sido usada para a redução de parasitas gastro-intestinais nos animais.

Para o estudo, foram colhidas amostras em caprinos para a realização de testes parasitológicos clássicos e moleculares em doze unidades dos distritos de Boane, Moamba e Magude na província de Maputo e Xai-Xai (actual Limpopo), Chibuto e Chokwé na província de Gaza.

Os dados do estudo indicam que em nove unidades os parasitas apresentaram resistência ao Albendazole, uma droga usada com frequência para a desparasitação dos animais e apenas três é que há sensibilidade ao medicamento.

Como forma de mitigar esta situação, a pesquisadora recomendou a mudança da droga para uma outra de classe diferente, uma vez que a administração aos animais de drogas da classe estudada (grupo dos Benzimidazóis) poderá não surtir o efeito desejado.

Os resultados da pesquisa revelaram que os criadores familiares e do sector comercial devem mudar de droga para uma outra classe diferente do Albendazole”, transmitiu a pesquisadora durante o encontro com os participantes dos encontros de divulgação dos resultados.

Na óptica da pesquisadora, esta situação pode ser resultado da frequência com que os dois sectores, com ênfase para o comercial, têm administrado drogas antihelmínticas nos seus rebanhos, como também, a aplicação indiscriminada da droga a todos animais dos rebanhos em cada ocasião assim como sem a observância da dosagem correcta como tem vindo a ser realizada.  

Durante o encontro com os criadores do sector familiar e comercial, técnicos de pecuária dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE) nos distritos abrangidos pela pesquisa, a pesquisadora informou que as unidades do sector familiar são as que demonstram ter ainda sensibilidade a droga se comparadas com as unidades do sector comercial, não obstante ter se registado a ocorrência de indivíduos com genótipo resistente (RR) e heterozigóticos (SR) no primeiro sector.

“Segundo Alsácia Nhacumbe, o que leva à resistência são as mutações do parasita devido á exposição permanente dos parasitas gastro-intestinais á droga.

A pesquisadora recomenda que os criadores deverão, para além da troca da droga desparasitante, realizar o tratamento selectivo ou dirigido aos animais como forma de não administrar a todos os animais dos rebanhos;  o uso de uma caderneta de registos por parte dos técnicos de pecuária e criadores de modo a não sobrecarregar o gado com drogas;  e o uso da técnica de quarentena aos animais vindos de outros currais ou regiões para se prevenir a “importação de parasitas resistentes” para os currais.

O estudo foi realizado em 7 distritos das províncias de Maputo e Gaza no âmbito do programa de pós-doutoramento da pesquisadora financiado pelo Banco Mundial em parceira com o Governo de Moçambique através do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (MCTESTP) através do Projecto HEST.

Alsácia Atanásio  Nhacumbe é Médica Veterinária formada pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM),  Doutorada  em Ciências Veterinárias pela Medical University of Southern Africa (MEDUNSA), África do Sul, e Pós-doutorada em Biologia Molecular pela Universidade Federal da Bahia, Brasil.